Lothar Charoux | Geométrico | O.S.T | 100X35 cm | A.N.V | 1976

Linda Obra, excelente estado de conservação. Obra com documento de autenticidade emitido pelo filho do artista.

REF: GP-P21001 Categoria: Tag:
Dimensões 100 × 35 cm
Artista

Técnica

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Data

Descrição/Detalhes

Lothar Charoux (Áustria, Viena, 1912 – BR, São Paulo, São Paulo, 1987)

Pintor, desenhista, professor

Inicia estudos artísticos com seu tio, o escultor austríaco Siegfried Charoux. Vem para o Brasil em 1928, e fixa-se em São Paulo. Na década de 1930, matricula-se no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Laosp), onde conhece Waldemar da Costa (1904 – 1982), com quem, a partir de 1940, estuda pintura. Pinta paisagens e retratos. Posteriormente passa a lecionar desenho no Liceu de Artes e Ofícios e no Senai. Em 1947, realiza sua primeira exposição individual, na Galeria Itapetininga. A partir de 1948, Charoux volta-se a questões construtivas. Em 1952, participa da fundação do Grupo Ruptura, ao lado de artistas como Waldemar Cordeiro (1925 – 1973) e Geraldo de Barros (1923 – 1998). Com Hermelindo Fiaminghi (1920 – 2004) e Luiz Sacilotto (1924 – 2003), cria a Associação de Artes Visuais NT – Novas Tendências, em 1963. É homenageado com retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) em 1974. Em 2005, é publicado o livro Lothar Charoux: A Poética da Linha, pela historiadora de arte Maria Alice Milliet.

Comentário Crítico
A obra de Lothar Charoux, na década de 1940, é bastante diversificada. O artista realiza paisagens, em que apresenta proximidades formais com a pintura de Waldemar da Costa e do Grupo Santa Helena, e retratos de caráter expressionista.
A partir de 1948, Charoux volta-se às questões construtivas. Para a historiadora da arte Ana Maria Belluzzo, o artista trabalha freqüentemente com uma trama prévia, que organiza o campo visual dos quadros. Na década de 1950, realiza a série dos desenhos negros, nos quais explora a oposição gráfica do traço branco com relação a uma superfície negra, promovendo seu valor luminoso. Em outras obras, busca propiciar uma tensão entre figura e fundo, por meio de formas geométricas vazadas, que cortam o plano em diferentes direções.
Para o historiador Walter Zanini, a participação de Charoux no Grupo Ruptura contribui para a maturidade atingida pelo movimento concretista naqueles anos. Em sua obra, o artista explora com criatividade e habilidade as questões da linha, do movimento e do equilíbrio, assim como as vibrações óticas e os mais variados jogos combinatórios.

Críticas
“Artista renitentemente concreto, na acepção mais atual do grupo ‘Pesquisas visuais’, não imita contudo as generalidades orgânicas e inorgânicas da natureza, não pretende sintetizar em suas linhas e texturas esquemas vegetais, animais ou minerais. Espécie de iluminurista clássico, também não se devota a uma temática religiosa de palimpsestos e de códices canônicos ou dinásticos. Não há episódios bíblicos nem históricos em seu acervo. Dir-se-ia mais um geômetra perdido na disponibilidade das proporções contínuas e harmônicas. Seus trabalhos, por mais atuais que sejam, não visam às soluções de desenho industrial de, por exemplo, Mavignier. Quedam-se nas metamorfoses inaplicáveis dum caleidoscópio cujas figuras eventuais e sempre mutáveis fascinam exatamente pela constante da verdade trigonométrica em tudo quanto é tendência desesperada de fuga ao preestabelecimento. Acha-se assim adstrito àquela arte de Luca Pacioli, Jacopo de Barbari e Vignola, arte que possuía algo da mágica e dos ritmos do número de ouro como antevisão de ritos e liturgias”.
José Geraldo Vieira
CHAROUX, Lothar. Lothar Charoux: retrospectiva. São Paulo: MAM, 1974. p.20 [Texto originalmente publicado no jornal Folha de S, Paulo, 28 fev. 1965].

“Lothar Charoux mantém-se absolutamente fiel às questões formais lançadas em seu período concreto, nos anos 50. Desde aquela época vem criando espaços virtuais, em que a forma se completa, gestalticamente, no olho do espectador. Emprega linhas que se organizam simetricamente, e sobre suportes verticais organiza o ritmo visual criado pela relação entre as diferentes densidades lineares e a cor única que serve de fundo. Em seguida, o caráter puramente ótico e musical dá lugar a uma organização mais arquitetônica do espaço, a linha cede à cor”.
Frederico Morais
DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. São Paulo: Júlio Bogoricin, 1986.

“O desenho de Charoux é uma pesquisa ardente de precisão e objetividade. A sua geometria é quase escolástica, pouco se desviando dos problemas que se encontram nos manuais da disciplina. Não queremos dizer com isto que se trata de problemas elementares da geometria ginasial. Nenhuma ciência é mais moderna, mais necessária ao espírito do homem contemporâneo do que ela. Sem o seu estudo, o que é fundamental em nossa época no plano plástico, ou passar-nos-ia despercebido, ou incompreendido: como compreender o mecanismo e mais do que o mecanismo, o segredo interno desse vasto campo de formas novas que as ciências, a técnica moderna trouxeram e trazem todos os dias, ao uso cotidiano, isto é, ao conhecimento de nossos sentidos e de nossa imaginação? Charoux é um modesto e consciencioso intermediário entre esse vasto campo de formas novas, inéditas ou inusuais, como que explicado e codificado pela geometria, e nós, os leigos, os transeuntes descuidados, os seus consumidores distraídos ou inconsciente. Todas essas gestalts, ou idéias novas, ou pelo menos características do nosso tempo, são indispensáveis ao seu viver, portanto, à sua organização sensorial, e ao fim de contas à sua sensibilidade. O seu desenho em preto-e-branco, de delicada modulação, premiado em São Paulo, se funda numa figura nova em geometria, embora velha na engenharia, a turbina, ou conforme a definição dos livros, um número infinito de elementos incertos com continuidade. Os elementos estão associados no sentido de dar uma determinada direção. Na turbina, os pontos-elementos se distribuem num círculo perfeito, com a inclinação dos traços ou filetes variando ao longo da circunferência, mas de modo a guardar sempre o mesmo ângulo. A modulação alvinegra que nos encantou no desenho de Charoux era dada por essa inclinação sucessiva, dentro do mesmo ângulo e espaço”.
Mário Pedrosa
PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. São Paulo: Edusp, 1998. pp.257-259.

Fonte: LOTHAR Charoux. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural.