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Raimundo de Oliveira | Cena Bíblica | Óleo Sobre Madeira | 50×70 cm | 1959 | C.I.D

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RAIMUNDO DE OLIVEIRA – “Cena Bíblica”:
Técnica/Suporte: O.S.M – óleo sobre madeira.
Medidas: 50 x 70 cm (obra).
Assinatura: C.I.D. – canto inferior direito.
Data: 1959.
Moldura: Com moldura de madeira na cor dourada.
Estado de conservação: Ótimo.
Descrição/Detalhes: Raríssima obra da artista, com o tema de cena bíblica, em ótimo estado de conservação.
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RAIMUNDO DE OLIVEIRA – “Cena Bíblica”:
-Técnica/Suporte: O.S.M – óleo sobre madeira.
-Medidas: 50 x 70 cm (obra).
-Assinatura: C.I.D. – canto inferior direito.
-Data: 1959.
-Moldura: Com moldura de madeira na cor dourada.
-Estado de conservação: Ótimo.
-Descrição/Detalhes: Raríssima obra da artista, com o tema de cena bíblica, em ótimo estado de conservação.
FRETE GRÁTIS – BRASIL*
-ID | REF: GP-P21092

-BIOGRAFIA: Raimundo de Oliveira (Feira de Santana BA 1930 – Salvador BA 1966)
Gravador, pintor, desenhista.

Raimundo Falcão de Oliveira iniciou nas artes por intermédio da mãe, pintora de temática religiosa, que o encaminha para o desenho e a pintura, como também o orienta na religião. Incentivado pela professora de desenho, expõe pela primeira vez no Ginásio Santanópolis, onde retrata os professores da escola. Após a conclusão do curso ginasial, em 1947, segue para Salvador, onde faz cursos regulares de pintura com Maria Célia Amado, na Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia, e conhece Mario Cravo Júnior e Jenner Augusto . Realiza a primeira individual no hall da Prefeitura de Feira de Santana, em 1951, momento em que se liga a um grupo de artistas independentes, responsável pelos Cadernos da Bahia. Reside em São Paulo de 1958 a 1964, depois volta a morar na Bahia. Vive no Rio de Janeiro entre 1965 e 1966. No ano de seu suicídio, 1966, é editada a Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira. Xilogravuras, pela Galeria Bonino e Petite Galerie, organizada por Julio Pacello, com prefácio de Jorge Amado. Em 1982, é publicado o segundo álbum do artista, Via Crucis, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, e é inaugurada a Galeria Raimundo de Oliveira, em Salvador.

Comentário Crítico
A obra de Raimundo de Oliveira – desenho, guache, óleo e gravura – se desenrola no universo religioso, com santos, imagens e cenas bíblicas representados de diversas formas. Os críticos tendem a distinguir duas fases em sua produção em função das variações observadas no tratamento dado ao tema. Nas décadas de 1950 e 1960 predominam as composições com cores sombrias e caráter expressionista – as figuras marcadas por traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960 – e algumas leituras mostram afinidades com a pintura de Georges Rouault. Em outro momento, as telas aproximam-se dos pequenos enredos, elaborados com o auxílio de figuras apequenadas (mais humorísticas que trágicas, pelas deformações e desproporções), que se repetem por causa das situações apresentadas. Estruturadas geometricamente, por um equilíbrio de planos horizontais e verticais, as novas telas possuem dinamismo particular, obtido pelos espaços construídos com base em círculos. A energia das cores vibrantes e o dinamismo da tela são as marcas salientes dessa fase, visto em O Sonho de Jacob, s.d. Além das influências simbolistas e da arte naif de Henri Rousseau, são perceptíveis, nessa fase, ecos da arte popular nordestina brasileira. O universo religioso é lido da ótica das festas e da religiosidade popular, misturando-se frequentemente ao mundo profano – procissões, bumba-meu-boi, altares domésticos etc. Os enredos e modos de figuração, por sua vez, remetem à arte dos gravadores e ceramistas do Nordeste. Elementos retirados da paisagem nacional, como árvores e animais tropicais, são outra forma de articular o erudito e o popular, o universal e o nacional – Jesus no Horto das Oliveiras, 1962, e Chegada em Jerusalém, 1964.

Críticas
“E então todos se deram conta que o burel não era um burel, era uma velha capa contra a chuva, e o cajado não era cajado, eram pincéis de pintura. E havia uma tela e o cujo sujeito pintava. Alguns quiseram apedrejá-lo, considerando-o um vigarista vindo de fora, mas outros reconheceram o peregrino e a ele se dirigiram, tratando-o familiarmente de Mundinho. Pois era Raimundo de Oliveira, filho da terra, desde menino um vago, sem jeito para o trabalho, a não ser para riscar papel, se isso é trabalho que se considere. Tinha ido embora fazia tempo, dele não havia notícia. Apareceu agora de repente e em torno de sua grande cabeça pairava uma atmosfera mágica, como se o cercasse a luz da madrugada. (…)

Esse pintor, esse grande pintor da Bíblia e da Bahia, esse que passou a limpo a violência do Velho Testamento e o tornou de maciez de veludo, esse que encheu de flores a áspera tragédia antiga, esse moço de voz tímida e segura certeza, esse Raimundo de Oliveira é um profeta com alma de Francisco de Assis. Só a Bahia o podia produzir, nos caminhos da cidade onde nasce o sertão; só a Bahia o podia alimentar e o oferecer às galerias do sul, à glória e à fama, pois sua Bíblia tem uma respiração de candomblé (não fosse ele filho de mãe Senhora de Ôpo Afonjá e não houvesse aprendido a cozinhar com Olga do Aleketu). Mestre pintor, não sei de outro que tenha crescido tanto em sua arte, mantendo-se tão fiel aos sonhos de sua meninice, às esperanças de sua Mãe e ao seu tesouro escondido. (…)

Raimundo de Oliveira (…) não ficou na Bahia. Era um profeta e tinha de levar sua profecia mundo adentro. Tinha de correr os caminhos e demorar em terras distantes. Anda por aqui e por ali, mas é na Bahia que ele vem se alimentar de terra, de animais, de Deus e de amor, é na Bahia que ele vem, humilde e vitorioso, reapreender o mistério do homem e sua necessidade de paz e de fartura”.
Jorge Amado – 1966
AMADO, Jorge. [Palavras]. In: OLIVEIRA, Raimundo de. Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira. Xilogravuras. Prefácio Jorge Amado; organização Julio A. Pacello. São Paulo: Lia Cesar, 1966.

“Este livro (de xilogravuras) nasceu há mais de dois anos, quando Raimundo de Oliveira me procurou para que eu o ajudasse a distribuir convites para a sua exposição, na Galeria Astréia. Saímos juntos, nessa simples missão, e foi no caminho que nasceu a idéia de fazer uma pequena Bíblia. Daí em diante, durante muitos meses, trabalhamos em estreita colaboração. Levamos bastante tempo escolhendo as cenas bíblicas que nos pareciam mais representativas. Essa escolha levava em consideração tanto o aspecto bíblico como o artístico. Além disso, teve que sujeitar-se às limitações impostas pela técnica da xilogravura”.
Julio A. Pacello – 1966
PACELLO, Julio A. In: OLIVEIRA, Raimundo de. Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira. Xilogravuras. Prefácio Jorge Amado; organização Julio A. Pacello. São Paulo: Lia Cesar, 1966.

“Apesar da ingênua composição plástica de suas obras e de sua franca rebeldia em relação à disciplina escolar (…) jamais foi, como equivocadamente o apresentaram (…), um primitivo, um ‘naif’ (…) estava preocupado com a problemática estilística que lhe provocavam os temas e as narrativas religiosos, interpretando-os com cenas de extremo lirismo”.
Clarival do Prado Valadares
PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Apresentação de Antônio Houaiss. Textos de Mário Barata et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.

Fonte: RAIMUNDO de Oliveira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural.

Tags: raimundo de oliveira, óleo sobre madeira, placa, cena bíblica, religioso, colorido, desenho, galeria paulista, obra de arte online

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